Gostam de robalinho grelhado ... não é assim ?

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Gostam de robalinho grelhado ... não é assim ?

Mensagempor OpraH BuFFa em Sexta Fev 19, 2010 8:00 pm

pois é .... quando estamos confortavelmente à mesa de um acolhedor restaurante, a degustar uma boa posta de robalo grelhado no carvão, .... "jámé" nos lembramos, quantos riscos de vida foram passados por alguém, para que fosse possível, aquele momento divino de prazer de saborear um fresquíssimo robalo grelhado.

atenção que isto dos robalos não é com 2ªs intenções..... tipo robalos à vara, esqueçam isso por agora...



Ó Trakinas se estes 4 pescadores estivessem munidos de coletes, será que ainda estavam vivos ?

Agradecia uma resposta da sua parte... por favor.


Encontrados primeiros destroços da embarcação desaparecida em Peniche

14h33m

Um painel da embarcação desaparecida, ontem, quinta-feira, ao largo da costa a sul de Peniche, com quatro pescadores a bordo, e um balde para armazenar anzol foram, ao fim da tarde de hoje, encontrados a boiar no mar. Os destroços foram localizados a uma milha da Praia Azul, Torres Vedras.

Imagem

Uma avioneta e uma corveta da Marinha Portuguesa procuram vestígios no mar.


De acordo com o capitão Luís Patrocínio Tomás, do Porto de Peniche, ainda não foram encontrados quaisquer vestígios dos quatro pescadores.

As buscas vão prosseguir na noite de hoje, sexta-feira.

"Não temos pistas nem indícios do que terá acontecido e não consigo tirar quaisquer conclusões", disse, adiantando que o alerta foi dado através de um canal de comunicação de uma outra embarcação e não pelo chamado "canal de segurança". "Os sistemas de segurança previstos não foram activados", disse.

Hugo Fonseca, mestre da embarcação "Dário Luís", foi o último a comunicar com a tripulação do "Fábio e João", um barco de pesca costeira de 10 metros.

"Eram 19:30 [de quinta-feira] e estávamos a regressar ao porto quando falei com o mestre e ele respondeu já a gritar, por isso já nem o consegui ouvir bem e fui logo alertar a Polícia Marítima", relatou, acrescentando que apesar do vento "o mar não estava muito mau".

Ouvidos pela Lusa, vários pescadores que se concentravam hoje, sexta-feira, nas arribas a norte da Praia da Areia Branca, disseram que a embarcação poderá ter sido surpreendida por uma vaga maior, causada pelo vento, não dando tempo aos pescadores de pedir socorro.

Os pescadores da embarcação que afundou têm entre os 40 e os 55 anos de idade e todos eles tinham filhos, alguns deles ainda menores de idade.

Luís Patrocínio Tomás disse que "as buscas vão continuar durante o dia", com recurso à corveta António Enes, ao salva-vidas de Peniche e a um avião da Força Aérea, depois de um helicóptero da Força Aérea já ter estado também a sobrevoar a zona.

As operações decorrem entre as três e as cinco milhas da costa, onde se presume que a embarcação tenha afundado.

"Uma das pistas que ainda não conseguimos localizar foi a bóia" de sinalização das artes da pesca.

Em terra, as buscas prosseguem com duas equipas da Polícia Marítima e com 14 homens e seis viaturas das corporações de bombeiros da Lourinhã, Peniche e Torres Vedras.

jn
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Re: Gostam de robalinho grelhado ... não é assim ?

Mensagempor Jacques Cuze em Sábado Fev 20, 2010 10:53 am




Sólo él tiene el derecho de tutearle a la mar.
Le parieron mar adentro y se le quedó la sal
lamiéndole los orígenes, enseñándole el cantar
que interpreta en la cubierta el furor del vendaval.

Treinta y seis y él, treinta y siete, que salieron a la mar
una mañana de marzo poco antes de clarear.
Trabajadores del agua que no se saben marear,
Masculinos como el viento, bruñidos en temporal.

Mirad, ahí van. Mirad, ahí van
los que en tierra firme no saben andar
que beben vino y no saben nadar
porque el destino no les quiso enseñar.
Miradles bien. Miradles bien.
Son treinta y siete y antes eran cien.
Son orgullosos, son gentes de fe.
Eran pescadores antes de nacer.

Se levantó la arbolada sin quererlos avisar
y al entrar en la ensenada comenzaron a zozobrar.
El piloto está borracho y lo tienen que amarrar
y naufragaron despacio, como intentando esperar.

Sólo el piloto ha quedado para poderlo contar.
Desde ese día borracho, ya nunca sale a la mar.
Y no hay suficiente vino para comprarle la sed
y busca un verdugo amigo y nadie lo quiere ser.

Mirad, ahí va. Mirad, ahí va
el que en tierra firme no sabe andar,
que bebe vino y no sabe nadar
porque el destino no le quiso enseñar.
Miradle bien. Miradle bien.
Eran treinta y siete y sólo queda él.
Es orgulloso, es hombre de fe.
Era pescador antes de nacer.


Que nadie levante un vaso.
Que nadie se atreva a hablar.
Que está pasando un marino.
Que está pasando un borracho,
Con toda la mar detrás.
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Re: Gostam de robalinho grelhado ... não é assim ?

Mensagempor Trakinas em Segunda Fev 22, 2010 9:52 am

Bom dia, caro Jacques.

O drama dos pescadores que todos os anos perdem a vida desta maneira oculta dois problemas ainda mais graves.
Como sabem, a pesca desportiva é a minha paixão, e dedico-me especialmente à modalidade apeada (sem embarcação), pelo que conheço razoavelmente a nossa costa, sua fauna e os hábitos dos peixes.

Estamos no final do período de desova do robalo (Dicentrarchus labrax). Por esta altura, os robalos reúnem-se em grandes cardumes onde as fêmeas escolhem os machos para a época. O Robalo é um predador solitário e anda em cardume em duas situações:
- Enquanto juvenil, procurando protecção nos números e caçando em grupo, e por vezes misturado com outras espécies.
- Aquando do acasalamento, procurando parceiro.

Eu calculo que muitos dos que me lêem já tenham esquecido estas notícias precisamente há um ano quando também se perderam vidas da mesma maneira e que para o ano por esta altura fiquem novamente chocados, mas o que se passa é algo de terrivelmente sinistro que urge denunciar.

Esses pescadores que perderam a vida estavam a cometer um crime ambiental. Eles estavam a largar redes na rebentação e a poucos metros da costa com o intuito de cercar cardumes de robalos grandes. Se forem a uma lota por esta altura do ano, podem ver robalo selvagem e de bom porte mais barato que aqueles robalinhos juvenis de viveiro. Isto deve-se à mortandade que a ganância humana inflige na população de robalos da nossa costa. O crime de lançar redes tão próximo da costa, visando uma espécie no seu momento mais vulnerável e também na altura em que vão reproduzir-se é a meu ver imperdoável. Os armadores que enviam os pescadores para este tipo de pesca são culpados, os pescadores que a ela se dedicam são culpados e, acima de tudo, a ausência de fiscalização que permite o lançar de redes tão próximo da costa é culpada.

O que fazer?
- Decretar o defeso integral à espécie nos meses de Janeiro a Março para permitir que se reproduza em segurança.
- Proibir o uso de redes a todas as embarcações pesqueiras que operem a menos de 50 milhas da costa.

Por este andar, o rei da nossa costa vai estar extinto dentro de poucos anos.
Imagem

Quanto às vidas dos pescadores, lamento, mas sei de antemão que eles sabiam que navegar embarcações na rebentação é o mesmo que jogar roleta russa. Foram-se e hão-de ir mais com eles.
:evil:

Imagem
Um abraço.
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Re: Gostam de robalinho grelhado ... não é assim ?

Mensagempor OpraH BuFFa em Segunda Fev 22, 2010 10:26 am

Caro Trakinas li atentamente o seu comentário, que agradeço, uma vez que lhe solicitei um esclarecimento.

O Trakinas é uma Autoridade nesta matéria, aqui no ECO.

Antes de mais deixe-me dizer-lhe que adorei a sua fotografia com aquele robalão.

5 estrelas ***** :s21: :s21: :s21: :s21: :s21:


Além da Família, o melhor da vida são certamente esses momentos de lazer que vive com a Família e com alguns Amigos.

Voltando agora às minhas questões e ao SEU comentário técnico .... :D


Há dias o Dr. Garcia Pereira falou neste assunto..... nestes moldes:
(não sei se sabe mas o Garcia Pereira é apaixonado pelo mar ...)


- Esta tragédia têm várias razões de acontecer

1 - Enquanto Espanha recebeu Fundos Europeus e renovou a sua frota, sendo a maior da Europa..

Portugal ..... abateu barcos e não renovou a frota. Os nossos barcos de pesca estão obsoletos.

2 - A fiscalização pela polícia marítima, aos barcos e à saída da barra em más condições atmosféricas .... Kaput .. népia .... néribi ... NÂO HÁ !!! :oops:

3 - O uso de coletes de protecção ainda não está implementado ... E agora eu pergunto: - Onde é que está a Autoridade para as Condições de Trabalho, no âmbito desta lacuna ?

4 - Os pescadores portugueses também não se sabem (ou não querem !) proteger, trabalhando em segurança, de modo a que se acontecer alguma coisa .....


Moral da história:

- todos têm culpa da tragédia que aconteceu.
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Re: Gostam de robalinho grelhado ... não é assim ?

Mensagempor Trakinas em Terça Fev 23, 2010 9:11 am

Bom dia, Oprah.

Quanto ao assunto em debate, tenho a dizer que já conhecia a paixão do Dr. Garcia Pereira pelo mar. Os argumentos do Dr. Garcia Pereira estão todos certos como é aliás seu hábito. É pena que tão poucas pessoas de inteligência consigam em Portugal a independência dessa ilustre personagem.

Vamos por partes:
1 - Enquanto Espanha recebeu Fundos Europeus e renovou a sua frota, sendo a maior da Europa..
Portugal ..... abateu barcos e não renovou a frota. Os nossos barcos de pesca estão obsoletos.

Isto é real, Oprah. À boa maneira portuguesa a cambada decidiu que a trabalhar ninguém tem tempo para ganhar dinheiro e pagou para destruir a nossa frota pesqueira. Esses fundos deviam ter servido para formar uma nova linhagem de pescadores, educados na consciência da natureza limitada dos recursos piscatórios e equipada para aproveitar de forma sustentável o enorme potencial que as nossas águas territoriais oferecem.

2 - A fiscalização pela polícia marítima, aos barcos e à saída da barra em más condições atmosféricas .... Kaput .. népia .... néribi ... NÂO HÁ !!! :oops:

A fiscalização da polícia marítima aos barcos?
Esta é anedótica, e eu só não me rio porque o assunto é mesmo para chorar.
A polícia marítima está a fazer aquilo que lhe mandam. Neste momento anda muito preocupada com os pescadores lúdicos e por isso têm uma série de pick-ups todo-o-terreno para andar a fiscalizar as licenças de pesca dos tipos como eu que vão à pesca uma vez por semana e que apanham menos de 1% de todo o pescado capturado em Portugal. Eu assisto frequentemente a pequenas embarcações profissionais que largam e recolhem redes a menos de 100 metros da costa, em pleno dia. Esta prática criminosa não interessa à Polícia Marítima.
Quanto à fiscalização das saídas de barras com mau tempo, eu acho isso um absurdo, porque os pescadores sabem melhor que ninguém como vai estar o tempo e o mar. É a vida deles que está em jogo. Acredite que este caso nem tem a ver com más condições de navegabilidade, mas sim com a criminosa proximidade da costa em que operam estas pequenas embarcações.

3 - O uso de coletes de protecção ainda não está implementado ... E agora eu pergunto: - Onde é que está a Autoridade para as Condições de Trabalho, no âmbito desta lacuna ?
4 - Os pescadores portugueses também não se sabem (ou não querem !) proteger, trabalhando em segurança, de modo a que se acontecer alguma coisa .....

Os coletes têm de fazer parte da palamenta das embarcações. A polícia marítima fiscaliza as embarcações nesse âmbito e aplica pesadas multas a quem não tiver todo o equipamento obrigatório. O uso desses coletes durante a faina é que eu não sei se é obrigatório. penso que não o é porque os coletes prendem os movimentos e provocam calor a quem está a fazer esforço físico. Nas condições que eu descrevi que envolvem risco elevado (pescar na rebentação) é uma estupidez crassa dos pescadores não estarem equipados e preparados para a eventualidade de o barco virar.




O robalão da foto está neste post que relata a pescaria de 26 de Dezembro de 2007.
Imagem
Clique na foto para ver.
Um abraço.
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Re: Gostam de robalinho grelhado ... não é assim ?

Mensagempor Moby Dick em Sábado Mar 13, 2010 2:16 pm

Quando entrou no pequeno porto, as luzes do Terraço estavam apagadas, bem sabia que todos dormiam já. A brisa refrescara muito e soprava forte. O porto, porém, estava calmo, e navegou até à pequena praia de seixos abaixo das rochas. Não havia quem o ajudasse, e puxou o barco para cima até onde pôde. Depois, desembarcou, e amarrou-o a um rochedo.

Tirou o mastro, enrolou a vela e colheu-a. Pôs o mastro ao ombro e começou a subir. Foi então que soube a profundidade do seu cansaço. Parou um momento e olhou para trás e distinguiu ao clarão da luz da rua a grande cauda do peixe erguendo-se bem por cima da popa do esquife. Viu a branca linha desnuda da espinha dorsal e a massa sombria da cabeça com a lança projectando-se e o total descarnado do corpo.

Recomeçou a subir e, no cimo, caiu e ficou algum tempo estendido, com o mastro sobre os ombros. Procurou levantar-se. Mas era muito difícil, e ali ficou sentado, com o mastro ao ombro, a olhar para a estrada. Um gato passou do outro lado, que ia à sua vida, e o velho esteve a segui-lo com os olhos. Depois, apenas fitava a estrada.

Por fim, pousou o mastro e levantou-se. Voltou a pegar no mastro, pô-lo ao ombro, e dirigiu-se para a estrada. Cinco vezes teve de sentar-se, antes de chegar à sua cabana. Lá dentro, encostou o mastro à parede. No escuro, achou a garrafa da água e bebeu uma golada. Depois, estendeu-se na cama. Puxou para os ombros o cobertor e para as costas e as pernas, e adormeceu de bruços nos jornais, com os braços estendidos e as palmas viradas para cima.

Dormia, quando pela manhã o rapaz espreitou à porta. Ventava com tanta violência, que os barcos de vela não saíram, e o rapaz dormira até mais tarde, e viera depois à cabana do velho, como vinha todas as manhãs. O rapaz viu que o velho respirava, e viu a seguir as mãos dele, e desatou a chorar. Saiu muito silenciosamente, para ir buscar café, e pelo caminho fora ia chorando.

Vários pescadores rodeavam o esquife, olhando para o que a ele estava amarrado, e um estava metido na água, de calças arregaçadas, a medir com uma linha o esqueleto. O rapaz não desceu à praia. Já lá estivera, e um dos pescadores ficara por ele a guardar o barco.

-- Como está ele? -- berrou um dos pescadores.

-- A dormir -- gritou o rapaz. Não se importava de que o vissem a chorar. -- Que ninguém o incomode.

-- Tinha mais de seis metros do nariz à cauda -- exclamou o pescador que estava a medir.

-- Acredito -- respondeu o rapaz.

Entrou no Terraço e pediu uma caneca de café.

-- Quente, e com muito leite e açúcar.

-- Mais nada?

-- Não. Hei-de ver depois o que ele pode comer.

-- Mas que peixe! -- disse o proprietário. -- Nunca se viu um peixe assim. Também eram bons os dois que pescaste ontem.

-- Que o diabo os leve -- praguejou o rapaz, desatando outra vez a chorar.

-- Queres beber alguma coisa? -- ofereceu o dono.

-- Não. Eles que não macem o Santiago. Eu volto já.

-- Diz-lhe que lamento muito.

-- Obrigado.

O rapaz levou o café quente até à cabana e sentou-se junto do velho, à espera de ele acordar. Certa vez, parecia que ele ia acordar. Mas recaíra no sono profundo, e o rapaz teve de atravessar o caminho, para pedir lenha e aquecer o café. O velho acordou enfim.

-- Não te levantes para cima -- disse o rapaz. -- Bebe. -- E deitou café num copo.

O velho pegou no copo e bebeu.

-- Venceram-me, Manolin. A verdade é que me venceram.

-- *Ele* não te venceu. O peixe, não.

-- Não. É verdade. Foi a seguir.

-- O Pedrico está a tomar conta do barco e da palamenta. Que queres que se faça à cabeça?

-- O Pedrico que a leve para armadilhas.

-- E a lança?

-- Fica tu com ela, se quiseres.

-- Quero -- disse o rapaz. -- E agora temos de assentar as outras coisas.

-- Procuraram-me?

-- Claro que sim. Os guarda-costas e os aviões.

-- O oceano é muito grande e o esquife é pequeno e difícil de ver -- comentou o velho. E notou como era agradável ter com quem falar, em vez de falar só consigo e com o mar. -- Senti a tua falta -- disse. -- Que apanhaste?

-- No primeiro dia, um. Outro no segundo, e dois no terceiro.

-- Foi muito bom.

-- Agora voltamos a pescar juntos.

-- Não. Eu não tenho sorte. Já não torno a ter sorte.

-- Para o diabo a sorte. Eu levo a sorte comigo.

-- E que dirá a tua família?

-- Quero lá saber! Pesquei ontem dois. Mas havemos de pescar juntos, que eu ainda tenho muito que aprender.

-- Precisamos de arranjar uma boa lança e tê-la sempre a bordo. A lâmina pode fazer-se de uma folha de molas de um Ford velho. Amolamo-la em Guanabacoa. Tem de ficar afiada; e não temperada assim, parte-se. A minha faca partiu-se.

-- Eu arranjo outra faca e trato de afiar a mola. Quantos dias de brisa fresca ainda temos?

-- Talvez três. Talvez mais.

-- Porei tudo em ordem. Trata de curar as tuas mãos, meu velho.

-- Bem sei como sará-las. De noite, cuspi uma coisa esquisita e senti rebentar-me qualquer coisa no peito.

-- Cura isso também. Deita-te, velho, que eu trago-te a camisa lavada. E de comer.

-- Traz-me jornais de quando andei por fora -- disse o velho.

-- Tens de te pôr bom depressa, porque ainda há muito para eu aprender e tu és capaz de me ensinar tudo. Sofreste muito?

-- Imenso.

-- Eu trago-te a comida e os jornais. Repousa, velho. Hei-de trazer da farmácia um remédio para as mãos.

-- Não te esqueças de dizer ao Pedrico que é dele a cabeça.

-- Não. Hei-de lembrar-me.

O rapaz, saída a porta e descendo o caminho aberto no coral gasto, chorava. Nessa tarde, havia no Terraço um grupo de turistas e, olhando para a água, entre latas de cerveja vazias e barracudas mortas, uma mulher viu a enorme espinha branca com a portentosa cauda à ponta, que arfava e balouçava na maré, enquanto o vento leste levantava um mar picado e cadenciado, fora da entrada do porto.

-- Que é aquilo? -- perguntou ela a um criado, e apontava para a longa espinha dorsal do grande peixe, que era apenas lixo à espera de que o levasse a maré.

-- Tiburon -- respondeu o criado. -- Tubarão. -- Queria explicar-lhe o que acontecera.

-- Não supunha que os tubarões tivessem caudas tão belas, tão lindamente formadas.

-- Nem eu -- disse o companheiro dela.

Ao cimo da estrada, na sua cabana, o velho adormecera outra vez. Ainda dormia de bruços, e o rapaz estava sentado ao pé dele, a observá-lo. O velho estava a sonhar com os leões.

Hernest Hemingway in O Velho e o Mar, tradução de Jorge de Sena
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Re: Gostam de robalinho grelhado ... não é assim ?

Mensagempor DIPLOMATA em Sábado Mar 13, 2010 8:42 pm

Nos USA ,OBAMA prepara lei que proibe pesca individual!!! E so uma questao de tempo. NA EUROPA TANBEM!!! VIVA o SOCIALISMO!!
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Re: Gostam de robalinho grelhado ... não é assim ?

Mensagempor Moby Dick em Domingo Mar 14, 2010 12:59 pm


There's something happening here
What it is ain't exactly clear
There's a man with a gun over there
Telling me I got to beware
I think it's time we stop, children, what's that sound
Everybody look what's going down
There's battle lines being drawn
Nobody's right if everybody's wrong
Young people speaking their minds
Getting so much resistance from behind
I think it's time we stop, hey, what's that sound
Everybody look what's going down
What a field-day for the heat
A thousand people in the street
Singing songs and carrying signs
Mostly say, hooray for our side
It's time we stop, hey, what's that sound
Everybody look what's going down
Paranoia strikes deep
Into your life it will creep
It starts when you're always afraid
You step out of line, the man come and take you away
We better stop, hey, what's that sound
Everybody look what's going down
Stop, hey, what's that sound
Everybody look what's going down
Stop, now, what's that sound
Everybody look what's going down
Stop, children, what's that sound
Everybody look what's going down


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